terça-feira, 28 de outubro de 2014

7 dicas para criar cidades para os pedestres


© archer10 (Dennis), via Flickr

A Associação de Pesquisa e Planejamento Urbano de San Francisco (SPUR), é uma ONG que se dedica a elaborar estratégias que procuram melhorar a qualidade de vida urbana, especificamente nas cidades que conformam a região da Baía de San Francisco.

A maior cidade desta baía é San José, que durante as décadas de 50 e 60 viveu um processo de expansão que a consolidou como uma área metropolitana. Mais tarde, nos anos 90, a cidade recebeu o título de Capital do Vale do Silício, resultado de um desenvolvimento tecnológico astronômico.

As estimativas mais recentes apontam que San José terá o maior crescimento das cidades da baía. Isso levou a SPUR a elaborar a pesquisa Getting to Great Places, com foco no desenvolvimento de San José, levando em consideração que o governo local pretende orientar este crescimento urbano para a criação de bairros mistos que sejam prioritariamente adequados e agradáveis para os pedestres.

A seguir, apresentamos 7 dicas elaboradas a partir da pesquisa da SPUR.

1. Circulação de pedestres

© Michigan Municipal League (MML), via Flickr

Caminhar em uma rua com cafés, restaurantes e lojas é muito mais agradável do que em uma rua onde existem grandes edifícios comerciais e estacionamentos para automóveis.

A Associação de Pesquisa e Planejamento Urbano de San Francisco explica que a percepção de distancias tem grande influência nesse quesito, logo, as cidades podem evitar o desconforto dos pedestres através de uma medida muito simples: não permitir que quadras inteiras se fechem para as ruas.

Além disso, as quadras devem possuir entradas e passeios para que os pedestres possam circular por entre os edifícios.

2. Voltar os edifícios para a rua

© Michigan Municipal League (MML), via Flickr

Se os pedestres passam por uma loja cuja entrada principal está repleta de vagas de estacionamento para automóveis, é provável que não se interessem em entrar no estabelecimento.

Assim, a Associação aconselha que as lojas tenham suas entradas o mais próximo possível da rua. A respeito disso o planejador da SPUR, Benjamin Grant, afirma que assim cria-se “uma espécie de intimidade e sentido do lugar”.

Além disso, Grant explica que os seres humanos se sentem mais confortáveis em espaços que não são tão expostos, como as praças tradicionais, algo conhecido como “instinto residual”.

3. Definir os usos dos espaços públicos

Times Square, Nova Iorque © Brian Digital, via Flickr

Existem certos espaços públicos que podem ser muito tumultuados e, por isso, se tornam incômodos para algumas pessoas. Entretanto, é necessário reconhecer que esses espaços conseguem atrair os cidadãos que os consideram boas opções para passar o tempo. Um exemplo disso é o que ocorre na Times Square, em Nova Iorque.

Sobre isso, Grant considera que é importante que esse tipo de lugar tenha um bom equilíbrio entre espaço disponível para a circulação e espaço destinado a acomodar os quiosques ou lojas, especificando que estes últimos não podem tornar-se prioridade no espaço público.

4. Construir estacionamentos “invisíveis” para automóveis

© Éole, via Flickr

“Todos os condutores são pedestres quando saem dos seus automóveis”. É desse modo de Grant introduz a ideia de qual seria o lugar mais adequado para construir estacionamentos para automóveis sem afetar os pedestres nem a qualidade dos espaços públicos.

Em sua opinião, se um edifício possui estacionamentos na sua parte frontal, “os pedestres se sentem como cidadãos de segunda classe”. Por isso, recomenda-se que, quando da construção de estacionamentos, estes sejam subterrâneos ou localizados parte posterior do edifício, para que sejam “invisíveis” aos pedestres e demais condutores.

Além disso, eles devem ser multiuso (comerciais e residenciais), com acessos lógicos e seguros para os pedestres, isto é, todos os cidadãos.

5. Garantir a escala humana dos edifícios

Empire State Building © Bokeh & Travel, via Flickr

O Empire State Building é um edifício que possui 381 metros de altura, mas não é visto como uma construção impenetrável, pois conta com acessos exclusivos para pedestres, o que faz toda a diferença. Segundo o livro “Getting to Great Places” da SPUR, estes detalhes o tornam um edifício capaz de criar um ambiente aconchegante para o pedestre no nível do solo.

6. Acessos claros e definidos para pedestres

Praça Trafalgar © LifeInMegapixels, via Flickr

Para caminhar pelas praças e parques, os pedestres devem contar com acessos que permaneçam evidentes e que sejam bem definidos. Por isso, recomenda-se que os caminhos e passeios sejam sinalizados, motivando as pessoas a percorrerem o lugar. Além disso, estas sinalizações tornam mais fácil o percurso dos turistas, sobretudo nos locais visitados por muitas pessoas.

7. Construir “ruas completas”

© EURIST e.V., via Flickr


Há algumas décadas, as ruas de certas cidades tinham como foco facilitar os deslocamentos dos automóveis, por isso, certos atributos tradicionais das ruas estavam sendo perdidos. Algumas dessas características correspondem à presença de espaços comerciais, sociais, para o transporte público e para as bicicletas.

 Por isso, o guia procura recuperar estes atributos através da construção de “ruas completas”, isto é, seguindo um desenho urbano que foque em aproveitar todo o potencial de uma rua. Assim, os cidadãos podem contar com espaços públicos mais tranquilos, onde podem tomar um café, ler um livro ou andar de bicicleta.

Fonte
http://www.archdaily.com.br/

Geólogos estudam meio de usar Aquífero Guarani para aliviar crise do Cantareira

Camila Maciel - Repórter da Agência Brasil Edição: Fábio Massalli


Geólogos da Universidade de São Paulo (USP) elaboram um estudo para saber se é possível retirar água do Aquífero Guarani para abastercer a região de Piracicaba, aliviando o Sistema Cantareira. A proposta é analisar a viabilidade da construção de 24 poços artesianos no município de Itirapina, região oeste do estado, onde o aquífero pode ser acessado de forma rasa. A análise será apresentada, em aproximadamente um mês, ao comitê criado pelo governo estadual para administrar a crise hídrica no Cantareira. Hoje (27), o sistema chegou a 13% da capacidade de armazenamento, após o início da utilização da segunda cota do volume morto.

O professor Reginaldo Bertolo, do Instituto de Geologia, explica que o estudo inclui a simulação, por meio de um modelo matemático, da extração de 150 mil litros de água por hora. “Queremos avaliar se o aquífero suporta essas vazões em longo prazo”, apontou. A análise baseia-se em um artigo publicado em 2004 por um grupo da Universidade Estadual Paulista (Unesp). De acordo com o trabalho, a região de Piracicaba fica distante cerca de 60 quilômetros (km) em linha reta, o que diminui os custos de um transporte da água direta para a capital. Outra vantagem é que o desnível geográfico entre as regiões de captação e consumo favorece o deslocamento.

Mesmo em fase de pré-viabilidade técnica, Bertolo acredita que essa pode ser uma alternativa interessante para o abastecimento de parte da região que deveria receber água do Cantareira. Ele destaca, no entanto, que é preciso fazer o uso sustentável dessa água para evitar novas crises. “A gente precisa ter a recarga no aquífero para que ele continue dando água. Se a gente tiver em longo prazo a certeza de que a chuva vai continuar caindo e o aquífero recarregado, uma vazão de 1 metro cúbico por segundo é uma vazão segura”, apontou. O Aquífero Guarani é a maior reserva estratégica de água doce da América Latina.

Atualmente, o aquífero abastece a maior parte das cidades do oeste paulista. “Observe que a crise de abastecimento de água está mais crítica nos municípios do centro-leste do estado”, avaliou. Isso ocorre, segundo Bertolo, porque eles têm maior segurança hídrica com a água oriunda dos aquíferos Bauru e Guarani. Entre os municípios abastecidos dessa forma, o professor destaca Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília, Bauru, entre outros. Ele explica que a profundidade das águas subterrâneas exige tecnologia complexa de engenharia, similar à utilizada para encontrar petróleo, para cavar os poços profundos.

Fonte
http://agenciabrasil.ebc.com.br/

Por plantas mais saudáveis

Eles têm pigmentação escura e hifas segmentadas e por isso são chamados de dark septade ou septados escuros. Trata-se de um tipo de fungo, mas não exatamente um tipo qualquer. São fungos benéficos ao desenvolvimento de plantas. Exatamente por essas características, eles vêm sendo alvo dos estudos da equipe coordenada pelo pesquisador Jerri Édson Zilli, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "Presentes no ambiente, esse grupo de fungos coloniza tecidos e muitas vezes vive no interior das plantas, estimulando seu crescimento."



Como explica Zilli, que é Jovem Cientista do Nosso Estado, da Faperj, os dark septate apresentam ampla distribuição geográfica e, com frequência, ocorrem em ambientes estressantes, seja em solos pobres ou com pouca disponibilidade de água. Mas é aí também que suas características se tornam mais importantes. "Embora ocorram com frequência em florestas de clima temperado, onde se mostram colonizadores de espécies arbóreas, também são capazes de se associar a gramíneas, como arroz, milho, cana de açúcar entre outros, que são espécies importantes para a alimentação dos brasileiros", afirma. Jerri.

Já conhecidos na literatura científica -- embora sejam menos estudados nos trópicos --, os dark septade não são considerados classicamente como fungos micorrízicos, ou seja, aqueles que vivem em perfeita simbiose com várias espécies de plantas, numa união em que ambos saem ganhando. Nas plantas colonizadas por fungos micorrízicos, eles passam a contar com uma fonte constante de açúcares para sua sobrevivência, enquanto, de outro lado, as plantas melhoram sua absorção de água, sua nutrição mineral e possivelmente sua resistência a agentes patogênicos.

Para o pesquisador, os dark septade podem ter mecanismos sutilmente diferentes dos micorrízicos. "Possivelmente, o fungo facilita a absorção de nitrogênio e fósforo pela planta. Mas queremos comprovar se eles realmente absorvem e transferem nutrientes -- como fazem os fungos micorrízicos -- ou se estimulam fisiologicamente a planta a absorver uma maior quantidade de nutrientes." Embora seja uma diferença sutil, é também possível que o fungo leve a planta a extrair, de forma mais eficiente, nutrientes mesmo em ambientes pobres. "Na prática, isso significa uma planta mais vigorosa", explica..

Para comprovar sua hipótese, Zilli vem estudando isolados de dark septate, obtidos a partir do arroz silvestre Oryza glumaepatula, da Amazônia. Em seu laboratório, ele procurou analisar a capacidade de dez isolados fúngicos colonizarem as raízes e promoverem o crescimento de plantas de tomate e de arroz. O pesquisador avaliou ainda sua capacidade de facilitarem a absorção de nitrogênio e fósforo às plantas.

"Observando alguns isolados de dark septade, pudemos perceber que, com a presença do fungo, plantas de arroz tinham um crescimento 30% maior, seja em sua parte aérea, seja nas raízes", constatou. Outra tendência observada foi a do perfilhamento. Ao serem inoculadas com o fungo, as plantas aumentaram os perfilhos em cerca de 50%, o que nos indica uma maior capacidade de produção de grãos."

Zilli e equipe continuam analisando os mecanismos de funcionamento dos fungos para melhor avaliar seu uso. "Estamos fechando este ciclo para chegar aos melhores isolados fúngicos. Até o final do ano, faremos testes em vasos para ver não apenas o crescimento da planta como também sua produção de grãos. Uma vez confirmados os resultados obtidos em laboratório, podemos passar a uma próxima etapa, levando os testes a campo."

Os experimentos estão sendo realizados tanto em condições normais quanto em situações de estresse hídrico. "Alguns isolados conseguem aliviar esse estresse. Observamos que, quando inoculada com fungos, o desenvolvimento da planta se torna semelhante ao de outra cultivada em condições normais, mas é preciso frisar que se trata de uma situação de laboratório. Em campo, podemos chegar a resultados diferentes", ressalva. Mesmo assim, Zilli está animado em levar adiante o projeto e obter essas respostas. "Na literatura, fala-se que a presença do fungo aumenta a resistência da planta a patógenos. Isso ainda precisa ser testado."

Zilli também vem estudando bactérias diazotróficas -- fixadoras de nitrogênio atmosférico -- ou estimuladoras de crescimento, por meio da fixação de nitrogênio. "Elas absorvem nitrogênio do ar e o quebram em moléculas que permitem sua utilização pelas plantas. Vale destacar que o Brasil é líder mundial no uso de bactérias fixadoras de nitrogênio na agricultura, e a economia resultante dessa utilização é superior a R$ 8 bilhões de dólares anualmente."

Como frisa o pesquisador, em Seropédica, a Embrapa Agrobiologia vem tendo, ao longo das últimas décadas, um papel preponderante em pesquisas na área de promoção de crescimento vegetal. "Mantemos uma coleção de culturas com mais de 3.000 micro-organismos conservados", entusiasma-se. No que depender de Zilli, fungos e bactérias continuarão cada vez mais firmemente a serviço de uma agricultura mais produtiva e mais saudável.

FONTE

Faperj
Vilma Homero - Jornalista

Brasil é o 9º país mais atraente para energias renováveis, aponta ranking

Às vésperas de realizar seu primeiro leilão exclusivo para a fonte solar, marcado para o dia 31 de outubro de 2014, o Brasil recebeu a notícia de que tornou-se o 9º país mais atraente para receber investimentos em fontes renováveis, segundo estudo recente da Ernst Young (EY).



O Renewable Energy Country Attractiveness Index (Recai), que é atualizado trimestralmente, avalia as barreiras e oportunidades para os investidores externos acessarem o mercado de fontes limpas em 40 países.

De acordo com os analistas da EY, os recentes anúncios de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai oferecer financiamento mais barato para projetos de energia solar que busquem equipamentos produzidos localmente também reforça a ambição do país para criar uma forte cadeia produtiva interna para essa fonte.

Participam do leilão de reserva, previsto para o dia 31 de outubro, cerca de 400 projetos que somam 10,8 gigawatts (GW) de capacidade. A expectativa do governo é contratar 3,5GW entre 2014 e 2018, ante meros 11 megawatts (MW) de capacidade instalada atualmente.

O ranking da EY aponta a China como o país mais atraente para receber investimentos em fontes limpas de energia, seguido dos Estados Unidos e da Alemanha.

Segundo o levantamento, entre os 40 países avaliados, o Brasil (9º na colocação geral), ficou em 2º em fontes hidrelétricas, 6º em eólica em terra, 26º em eólica em mar, 14º em solar fotovoltaica, 9º em solar concentrada, 4º em biomassa, 32º em geotérmica e 24º em marinha.

Conheça o ranking na íntegra em inglês (em PDF) --

FONTE

EcoD

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Planejamento das cidades deve priorizar os pedestres, apontam especialistas

Mudanças impactam na qualidade de vida. Tema foi debatido no II Seminário Internacional de Mobilidade e Transportes.

Foto: Sérgio Alberto/Agência CNT

A forma mais natural de deslocamento é caminhar. Para se ter uma ideia, somente na Região Metropolitana de São Paulo, as viagens realizadas a pé somam 12,7 milhões de km por dia. Se somados os trajetos percorridos entre os trechos motorizados, o índice chega a 26,6 milhões de km, segundo dados compilados pela ANTP (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros).

A estimativa é que 34% das viagens sejam feitas a pé. Contudo, na maior parte das vezes, o planejamento urbano ignora esse fato e prioriza, na construção dos espaços, o transporte motorizado.

Na avaliação de especialistas, esse processo deve ser alterado, a fim de elevar a qualidade de vida da população, a interação entre as pessoas e promover ambientes mais civilizados. O tema foi discutido durante o II Seminário Internacional Mobilidade e Transportes, que ocorre em Brasília (DF).

"A interação entre as pessoas é realmente importante para uma sociedade melhor, porque é como indivíduos de diversas culturas podem agir por um propósito comum. E onde as pessoas interagem? Nas cidades. É por isso que elas devem ser mais atrativas", disse Nick Tyler, da University College London.

Para o especialista, uma das formas de garantir espaços urbanos mais acolhedores para as pessoas e estimular os percursos a pé é distribuir as atividades às quais a população necessita ter acesso por todo o território urbano: emprego, educação, saúde, ambientes intelectuais, entre outros. Isso promove ambientes mais saudáveis, seguros e estimulantes.

Ele lembrou, também, a importância de se pensar a cidade como espaço público. "A quem pertence esse espaço?", questionou o pesquisador ao defender que as ruas e calçadas devem ser planejadas com acessibilidade e garantir a segurança. Destacou, ainda, que o desenho urbano precisa ser flexível para que possa ser adaptado às mudanças sociais. "As pessoas mudam todos os dias e precisamos compreender o que as futuras gerações precisarão", disse Tyler.

Embora a popularização dos carros tenha ocorrido principalmente na segunda metade do século XX, a pouca atenção dada aos pedestres no planejamento das cidades é um fenômeno bem mais antigo.

Estudo elaborado pela pesquisadora Monica Gondim, da UnB (Universidade de Brasília), identificou o planejamento de cidades antigas já mais adequadas para o fluxo de outras formas de transporte que não a pé. "Os significados e valores atribuídos aos deslocamentos de pedestres e veículos são ancestrais e não um fenômeno da sociedade industrial. Assim, o planejamento para automóveis é bem mais antigo que o planejamento para pedestres", disse Monica.

Uma pesquisa elaborada pela arquiteta e urbanista, Ana Paula Borba Gonçalves, aponta que a forma das cidades interfere na opção pelo transporte a pé. Ela ouviu 1,5 mil pessoas, a maioria no Brasil e em Portugal para identificar de que maneira a forma das cidades interfere nessa decisão.

"As pessoas olham o espaço urbano de uma forma negativa", disse. Ela ainda ressaltou que há uma série de estratégias que podem ser utilizadas para estimular o uso das ruas para viagens a pé. "É possível estimular portas nos andares térreos, trabalhar com a dinâmica das fachadas para evitar a monotonia e estimular o olhar das pessoas, permitir a convivência entre diversos fluxos nas mesmas áreas - de pedestres, bicicletas e carros -, proporcionar maior diversidade de atividades, limitar a altura de edifícios, limitar espaços muito abertos, que são menos convidativos e garantir a acessibilidade", enumerou.

O II Seminário Internacional Mobilidade e Transportes teve início nessa segunda-feira (20) e segue até esta quinta (23). Com o tema "Mobilidade para Cidades Sustentáveis", o evento ocorre na Câmara dos Deputados.

Natália Pianegonda
Agência CNT de Notícias

A corrida para desenvolver pesticidas orgânicos

Por JACOB BUNGE
sexta-feira, 24 de outubro de 2014 00:03 EDT

Fixação biológica de nitrogênio na raiz de uma planta de ervilha. Photo Researchers/Getty Images

No caminho para uma conferência em Orlando, na Flórida, Brian Vande Berg parava seu carro a cada dez minutos para caminhar pelas praias e pântanos e de vez em quando coletava um pouco de lama em sacos plásticos. Seu alvo: organismos microscópicos que habitam o solo e que as empresas agrícolas consideram a nova fronteira para proteger as lavouras.

Fabricantes de sementes e pesticidas como Basf SE, DuPont Co. , Bayer AG e Monsanto Co. estão investindo pesadamente para desenvolver novos produtos que incorporam organismos como bactérias e fungos, que executivos dizem ajudar o milho, a soja e outras culturas a se defender de pragas e se desenvolver mais rapidamente.

Vande Berg, diretor de pesquisa e desenvolvimento da divisão CropScience da Bayer, participa de uma corrida que tem levado pesquisadores a cantos distantes dos Estados Unidos, vasculhando leitos secos de rios e pilhas de material orgânico em busca de pequenos microrganismos. As empresas pretendem revestir o exterior das sementes com esses micróbios benéficos e, em outros casos, pulverizá-los sobre as plantas em desenvolvimento.

A aposta nos microrganismos reflete um esforço de diversificação das empresas agrícolas para além dos pesticidas sintéticos químicos em um cenário de crescente regulação e maior preocupação dos consumidores. Pesticidas e outros produtos que incorporam micróbios normalmente podem ser lançados mais rápido que inseticidas e herbicidas químicos criados pelo homem, que têm atraído maior vigilância dos reguladores nos últimos anos devido a preocupações ambientais levantadas por consumidores, grupos de defesa e agricultores de produtos orgânicos.

“Há muitas coisas que [os produtos baseados em micróbios] podem fazer que hoje são feitas por químicos sintéticos”, diz Paul Schinckler, presidente da Pioneer, unidade de sementes da DuPont.


Microrganismos têm tido uso limitado na agricultura por décadas, principalmente no revestimento de soja e outros legumes para melhor absorção de nutrientes e combate aos fungos. Agora, as empresas afirmam que avanços na tecnologia de análise genética e práticas de cultivo permitem que elas encontrem e desenvolvam novos microrganismos capazes de desempenhar funções mais amplas, como proteger culturas contra mais doenças e pragas ou reduzir danos causados pela seca.

“O diagnóstico do DNA hoje dá um nível de entendimento que não tínhamos há cinco ou dez anos”, diz Robert Fraley, diretor de tecnologia da Monsanto.

Por cerca de 20 anos, a Monsanto e suas rivais venderam sementes geneticamente modificadas para culturas como milho e algodão. Nelas são inseridos traços de outros organismos que permitem que as sementes produzam proteínas que matam insetos e resistam à aplicação de químicos que as empresas também comercializam.

A incorporação de organismos microscópicos como bactérias e fungos é uma abordagem diferente. Ela encoraja bactérias e fungos úteis a viver na superfície das plantas, ajudando-as a absorver nutrientes e fornecendo defesas contra insetos e doenças.

Os produtos feitos a partir de micróbios enfrentam o ceticismo de alguns ambientalistas. Mas como eles não dependem da engenharia genética ou de químicos produzidos em laboratório, os produtos podem ser usados na produção orgânica e em alimentos naturais. As leis do Departamento de Agricultura dos EUA impedem que os produtos orgânicos contenham organismos geneticamente modificados, ou transgênicos, mas permitem o uso de bactérias existentes na natureza em safras orgânicas.

O apetite dos consumidores por opções mais saudáveis e ambientalmente conscientes torna os produtos orgânicos uma estrela no setor de alimentos, criando negócios como a planejada aquisição pela General Mills Inc. da fornecedora de alimentos naturais e orgânicos Annie’s Inc. Um pequeno mas crescente número de produtores de alimentos também começa a eliminar os transgênicos de alguns produtos.

Pesticidas biológicos hoje registram vendas anuais de cerca de US$ 2 bilhões, ou 4% dos US$ 54 bilhões em produtos químicos vendidos globalmente, segundo estimativas do setor. Mas a crescente aversão pública aos produtos químicos, como o glifosato, vendido sob a marca Roundup pela Monsanto, pode impulsionar as vendas dos pesticidas biológicos para US$ 5 bilhões até o fim da década, prevê Michael Cox, analista da Piper Jaffray.

Os fabricantes de pesticidas têm entrado nesse mercado por meio de uma série de aquisições.

A alemã Basf, maior empresa química do mundo em vendas, pagou em 2012 US$ 1 bilhão pela Becker Underwood, uma empresa americana especializada em pesticidas biológicos. A Bayer pagou US$ 500 milhões no mesmo ano por uma empresa similar chamada AgraQuest Inc.

A DuPont está construindo sua plataforma de micróbios com tecnologia adquirida no negócio de US$ 6,5 bilhões pela produtora de ingredientes Danisco A/S em 2011. A DuPont informou em agosto que está construindo duas novas unidades de pesquisa nos EUA para ajudar a desenvolver esses produtos. A Monsanto, maior produtora de sementes em vendas, também anunciou que planeja quase triplicar sua pesquisa com micróbios em 2015.

Analistas dizem que não está claro se as empresas farão avanços científicos com micróbios como ocorreu com sementes transgênicas e pesticidas químicos. E alguns grupos ambientalistas alertam que o uso em massa de microrganismos na agricultura pode gerar seus próprios problemas, como estimular que as pragas se tornem resistentes mais rapidamente aos ataques de bactérias, criando ervas daninhas e insetos ainda mais resistentes.

Margaret Reeves, cientista sênior da Rede de Ação de Pesticidas, diz que o problema pode acabar intensificando ainda mais o uso de pesticidas. “A abordagem ainda não tem sustentabilidade no longo prazo.”

Fonte:

Comissão de Meio Ambiente pode aprovar incentivo fiscal para reúso de água

Iara Guimarães Altafin | 23/10/2014, 18h34 - ATUALIZADO EM 24/10/2014, 16h49

Divulgação Prefeitura Municipal de Bebedouro – SP

A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) se reúne na terça-feira (28), às 10h, e pode votar projeto que concede redução de 75% do Imposto de Renda e isenção da contribuição de PIS/Pasep e Cofins para empresa que produzir ou distribuir água de reúso.

A medida incentiva a reutilização de água não potável, para evitar que água tratada seja usada para irrigação de jardins, lavagem áreas públicas, desobstrução de tubulações e combate a incêndios.

Para esses casos, poderá ser feita a reutilização de água proveniente de esgoto e de demais efluentes líquidos domésticos e industriais, desde que dentro de padrões definidos para as modalidades de uso pretendidas.

O projeto (PLS 12/2014), do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), é voltado a empresas que fazem a adequação a esses padrões e a distribuição dessa água reaproveitada, como forma de reduzir seu custo e ampliar sua utilização nas cidades brasileiras.

Depois de analisada pela CMA, a proposta vai à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), para decisão terminativa.

Licença ambiental de instalação

A pauta da CMA, formada por 26 itens, inclui ainda projeto (PLS 401/2013) de Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) que torna obrigatória a inclusão da licença ambiental de instalação entre os documentos que devem constar de edital para licitação de obra pública.

A lei em vigor obriga que, ao lançar um edital para licitação de obras públicas, o governo inclua nos anexos o projeto básico aprovado e as licenças ambientais prévias, entre outros documentos. Já a licença de instalação é exigida da empresa vencedora da licitação, como condição para o início das obras do projeto.

Para Aloysio Nunes, a facilidade de concessão de licenças prévias e a deficiência dos projetos básicos resultam com frequência na paralisação de obras já licitadas, por problemas na obtenção da licença de instalação.

A exigência dessa licença ainda no edital, diz ele, contribuirá para melhorar a qualidade dos projetos e obrigará os órgãos ambientais a analisar esses projetos de forma mais criteriosa.

A matéria também será analisada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Fonte:
Agência Senado

Prédios dão exemplo e adotam telhados verdes

Iniciativas de jardins suspensos nos prédios da capital ajudam a reduzir ilhas de calor e a apontar melhorias para a cidade

Publicado em 25/10/2014, às 17h00

Telhado verde do Bar Central, no bairro de Santo Amaro
Foto: Igor Bione

Eles ainda são poucos. Contados nos dedos. Mas já fazem a diferença na paisagem da capital pernambucana. As primeiras iniciativas de telhado verde no Recife mostram como as edificações podem contribuir para reduzir as ilhas de calor da cidade. Pioneiras, elas chegaram antes mesmo da aprovação de um projeto de lei que torna obrigatória a instalação de tetos verdes na cobertura dos prédios. A proposta foi apresentada pelo Executivo em novembro do ano passado e está sendo discutida na Câmara dos Vereadores. Embora ainda isoladas, as experiências inserem o Recife na discussão de soluções urbanas que ajudem na melhoria da qualidade de vida da cidade.

As vantagens são muitas. Um prédio com telhado verde pode chegar a uma temperatura até seis graus mais baixa do que no seu entorno. Com a proliferação dos espigões de concreto, iniciativas que melhorem a sensação térmica da cidade são sempre muito bem-vindas. O precário sistema de drenagem da capital também agradece. “Além de diminuir as ilhas de calor, a cobertura vegetal ajuda na captação da água da chuva, reduzindo o acúmulo nas ruas, sobretudo no período de inverno”, explica o engenheiro agrônomo e paisagista Marcelo Kozmhinsky.

Responsável pela implantação de alguns projetos de telhado verde na capital, ele acredita que é uma questão de tempo, e de cultura, para que a ideia se espalhe pelas lajes da cidade. “O poder público é fundamental nesse processo. Em outras capitais, o Executivo dá descontos de IPTU para quem aplica a cobertura vegetal. São incentivos que ajudam a popularizar a ideia”, observa. Cidades como Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre já possuem lei regulamentando os ecotelhados. No Recife, a proposta é a instalação de teto verde na cobertura dos prédios habitacionais com mais de quatro andares e não-habitacionais com 400 metros quadrados de área coberta.




Sem nem saber do projeto de lei que tramita na Câmara dos Vereadores, o dono do Bar Central, André Rosemberg, transformou em realidade um antigo desejo. Aproveitou o telhado do seu empreendimento, no bairro de Santo Amaro, para plantar grama, hortaliças e árvores frutíferas, como maracujá, pitanga, jabuticaba, limão, acerola e laranja. Com apenas quatro meses, o jardim suspenso do Central começa a chamar a atenção de quem passa pela rua. A fachada vai ganhar uma cerca viva formada por pés de maracujá.

“É uma forma de devolver à cidade o que a gente recebe. De contribuir para a melhoria urbana do Centro, onde o Central está e onde eu cresci e sempre vivi”, diz Rosemberg. Morador de um prédio vizinho ao bar, o funcionário público Aldemir Pessoa de Melo, 64 anos, é só elogios à paisagem nova que aparece em sua janela. “A ideia é maravilhosa. Deveria ser padrão para todo canto. Só faz bem. Os pássaros adoram e os vizinhos ganharam uma vista mais bonita”, relata, espiando o jardim suspenso do quarto de seu apartamento.

Com uma vista de tirar o fôlego, o terraço do prédio do Softex, no Bairro do Recife, oferece uma combinação de telhado verde com uma área para ponto de encontro. O prédio, que abriga empresas de tecnologia, vai inaugurar o novo espaço na próxima quarta-feira. Distribuídos em 400 m², a vegetação apropriada à maresia e ao sol se junta ao mobiliário de madeira para criar um ambiente convidativo para a contemplação e o bate-papo. “Pensamos numa proposta ecologicamente sustentável e que possa servir de inspiração para outros empreendimentos da cidade. Já tínhamos a vista deslumbrante, queríamos criar uma área de convivência, dentro do espírito inovador do Softex”, diz Manoel Borba, que administra o prédio.

Quando estiver pronto, em janeiro de 2016, o telhado verde do Empresarial Charles Darwin, na Ilha do Leite, será o maior em área do Recife e um dos maiores do Brasil. O grande gramado se estenderá pela cobertura do edifício-garagem e das marquises das lojas, o que resultará em cerca de 2,5 mil m² de área verde. O teto-jardim conseguirá armazenar cerca de 75 mil litros de água, além de sequestrar 11 toneladas de CO2 ao ano. “A preocupação de fazer um projeto inovador, que contribua com soluções sustentáveis para o local onde o prédio está inserido, foi a nossa maior motivação. O retorno que o telhado verde traz para o empreendimento e para a cidade vale o investimento. É uma tendência da arquitetura mundial e Recife não tem como ficar de fora”, diz Fabian Bezerra, gerente de projetos da Rio Ave, construtora responsável pelo empresarial. São iniciativas que, aos poucos, vão inserindo a cidade no mapa da sustentabilidade e conferindo melhoria aos espaços urbanos.

Fonte:
http://jconline.ne10.uol.com.br/

Conheça os caminhos da lã e da pele ovina no artesanato - Rio Grande do Sul



A região sul do Estado e a fronteira oeste gaúchas têm tradição na ovinocultura. A criação de ovelhas e o artesanato em pele e lã fazem parte da cultura regional. Em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, uma mostra temática contou esta história para os visitantes.


Produção de mel em Roraima




A produção de mel, a partir do manejo das colônias das abelhas,é uma atividade que vem crescendo e se organizando no estado de Roraima. Nossa equipe esteve em Roraima para mostrar que através do manejo, a produção do mel e sua contribuição na economia do estado.


Conheça o mundo das cigarras, inseto que invade as cidades todos os anos





As cigarras praticamente não oferecem perigo para as pessoas, mas podem ser insuportáveis quando se quer silêncio. São os únicos insetos produzem um som estridente que pode chegar a 120 decibéis.



Produção de Sementes Orgânicas



Os produtos orgânicos são alimentos cultivados sem agrotóxicos e fertilizantes químicos. Além de possuírem um sabor melhor, eles são mais saudáveis e são produzidos em harmonia com o meio ambiente. O mercado de produtos orgânicos está crescendo cada vez mais. Segundo estudos, essa área movimenta cerca de 40 bilhões de dólares por ano.


Em São Manuel há uma fazenda experimental da Unesp que desenvolve pesquisas com hortaliças para garantir a produção e a distribuição de sementes orgânicas aos agricultores da região. No Ciência Sem Limites dessa semana João Moretti entrevista o pesquisador Antônio Ismael Cardoso, que explica como é realizado esse processo. As alunas do doutorado Natália Lanna e Joara Secchi Candian também falam sobre suas atividades na fazenda.




FONTE

TV Unesp


Energia solar é pior do que outras fontes renováveis, diz União Europeia

A energia solar está bem estabelecida e em constante evolução. Mas, de acordo com um novo relatório da União Europeia, seu impacto econômico é incrivelmente custoso e muito pior do que energia eólica ou hidroelétrica.



O relatório considerou não apenas os custos operacionais e de capital das usinas, mas também seus impactos econômicos em termos de mudança climática, poluição e esgotamento de recursos. Pode parecer duro, mas há muitos dados por aí para fundamentar os cálculos.

Os autores do relatório calcularam custos nivelados -- o custo econômico estimado por megawatt-hora de eletricidade gerada por cada tecnologia. E as coisas não ficaram bonitas para a energia solar. De acordo com a análise, usinas novas de carvão e gás natural custam cerca de US$ 64 megawatts-hora, eólica US$ 102, energia nuclear US$ 115 e energias solares em escala utilitária US$ 127.

Por quê? Parece, de acordo com o Technology Review, que é por causa da fabricação de células solares. A maior parte delas é feita na China, e lá, a eletricidade é extremamente intensiva em carbono. Junte a isso o fato das células usarem recursos importantes de metal e o impacto econômico geral não é bom.

Vale ressaltar que o relatório foi feito com base em dados de 2012 -- esse tipo de estudo demora esse tempo para ser concluído. Então é capaz de as coisas terem mudado nos últimos dois anos -- porém, provavelmente não mudaram muito.

[European Commission via Technology Review]

FONTE

Gizmodo

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Leões afugentados com celulares mostram boom da tecnologia na África



31 de julho — Quando Emily Parsitau queria iluminar sua casa para afugentar leões ou intrusos, ela tinha que andar uma hora para comprar querosene na loja mais próxima. Agora, ela utiliza um cartão SIM.

A casa de quatro quartos da fazendeira em Kisamis, área rural na margem do Vale do Rift na Quênia, nunca teve acesso à rede elétrica nacional e ela dependia de lampiões de querosene, quando conseguia o combustível, para iluminar o caminho até o gado, que atraía predadores e ladrões. Tudo mudou em março quando ela comprou o M-Kopa Solar, um sistema de iluminação com energia solar que usa tecnologia celular para acompanhar o uso e armazena energia para quando sua casa e sua trilha precisam ser iluminadas.

“Antes de comprar as lâmpadas, eu tinha medo dos leões”, disse a mulher de 42 anos, que tem seis filhos, no apertado espaço de sua sala de estar sob um teto manchado de fumaça de querosene. “Eles atacavam nosso gado no meio da escuridão. Agora os leões mal aparecem por causa da iluminação”. Seus filhos agora podem acabar a lição de casa usando a luz em vez de ficar lutando com a escuridão como antes, disse ela.

A tecnologia móvel está revolucionando a vida de muitas das mais de 1 bilhão de pessoas na África para quem serviços como banco, internet e energia acessível antes eram considerados luxos e não itens básicos. E agora que as operadoras estão criando seus próprios smartphones baratos, o continente com a população mais jovem do mundo logo terá acesso a redes 4G e aplicativos que alimentarão um boom de consumo que está impulsionando o crescimento econômico da África.

‘Importância extra’

“O impacto dos celulares foi muito maior em grande parte da África subsaariana porque muito da infraestrutura com a qual as pessoas das economias mais desenvolvidas já estão acostumadas aqui não existe”, disse Matthew Reed, analista principal para o Oriente Médio e a África da consultoria de pesquisas sobre telecomunicações Ovum em Londres. “Os celulares têm importância extra porque conseguiram fechar algumas dessas brechas”.

A Safaricom Ltd., 40 por cento da qual é propriedade da Vodafone Group Plc e pioneira no serviço de transferências de dinheiro por celular M-Pesa, é uma das razões pelas quais Parsitau tem menos medo na hora de sair de casa à noite. A maior operadora de celulares do leste da África está ajudando a comercializar o M-Kopa, que usa um cartão SIM inserido na bateria do dispositivo de iluminação para monitorar o uso e os pagamentos, com o objetivo de vender energia a moradores de comunidades rurais.

A MTN Group e a Vodacom Group Ltd., as duas maiores empresas de telefonia da África do Sul, com 252 milhões de clientes na África entre as duas, desenvolveram smartphones que custam menos de US$ 100 para impulsionar a receita com dados. Elas oferecem a uma classe média em expansão acesso a varejistas on-line, redes sociais e conteúdos como o serviço de streaming de música Spotify.

Banco móvel

A Vodacom está se beneficiando com o crescimento dos seus dados e negócios em outros lugares da África. Boa parte disso está sendo impulsionada pelo M-Pesa, que levou o banco para dezenas de milhões de africanos. Todos os dias o sistema processa mais transações dentro do Quênia do que a Western Union Co. no mundo, segundo o FMI.

Desde que Parsitau comprou o sistema, ela não precisa mais fazer a viagem de ida e volta de duas horas até um rio do vale para encher garrafões de água que depois ela levava para casa no lombo de um burro. Se o rio estava seco, ela tinha que gastar cerca de 200 shillings (US$ 2,3) para ir de minibus até Kiserian, a aproximadamente 20 quilômetros, para conseguir água. Agora ela usa o dinheiro para comprar água tratada de um poço.

“Desde que nós compramos essas lâmpadas a nossa vida melhorou muito”, disse ela. “Antigamente eu tinha medo à noite porque eu não podia ver se um intruso ou até mesmo uma cobra tinha entrado em casa. Mas hoje, graças às lâmpadas, eu posso andar sem medo em casa”.

Título em inglês: &aposWarding Off Lions With Cell Phones Shows African Technology Boom&apos

Para entrar em contato com os repórteres: Christopher Spillane, em Johanesburgo, cspillane3@bloomberg.net; Charles Wachira, em Nairóbi, cwachira@bloomberg.net

Tecnologia de celulares facilita fornecimento de água em favelas angolanas


Ana Paulino, uma vendedora ambulante de 40 anos em Luanda, carrega vasilhas de plástico com água quatro vezes mais pesadas do que uma bola de boliche sobre a cabeça todas as manhãs em viagens de 400 metros até o poço mais próximo.

É uma carga compartilhada por muitas mulheres na capital de Angola, a cidade de maior crescimento da África Subsaariana. O país é o segundo maior produtor de petróleo do continente. Mesmo assim, ter água corrente em casa continua sendo apenas um sonho para a maioria das famílias.

Agora, a tecnologia telefônica moderna está ajudando a aliviar os problemas de obtenção de água na economia de US$ 122 bilhões, parte de progressos sendo feitos de Angola até a Tanzânia e a Índia que permitem a pessoas como Paulino achar as torneiras comunitárias mais próximas em funcionamento, onde as pessoas podem comprar água a menos de um décimo do preço cobrado por fornecedores com caminhões.

Neste ano, a Mobile Enabled Community Services, uma associação do setor que apoia quase 800 operadores da Groupe Spéciale Mobile Association no mundo inteiro, e a agência de socorro Development Workshop lançarão um programa para localizar as torneiras mais próximas em funcionamento, informar avarias e pagar água a uma fração do preço normal.

Significa uma boa notícia para Paulino, mãe de sete filhos que gasta entre 70 e 90 kuanzas (70 a 90 centavos de dólar) por cada recipiente de água comprado a vendedores privados pela falta de uma torneira comunitária. “É cansativo e desapontador ter que carregar vasilhas com água na cabeça todos os dias no século 21°”, disse ela.


Comércio informal

Sendo que a água corrente é esquiva e a escassez comum no país de 24 milhões de habitantes no sudoeste da África, as autoridades estimam que o comércio informal de água em Angola seja de US$ 250 milhões por ano.

Agora, canos enferrujados que quebram com frequência após décadas de abandono resultantes de uma guerra finalizada em 2002 poderiam se converter em relíquias do passado. Em agosto, o jornal estatal Jornal de Angola informou que o governo planeja gastar US$ 139 milhões para atualizar os centros de distribuição de água e construir novos reservatórios na capital.

O projeto de 200.000 libras esterlinas (US$ 324.000) com dispositivos móveis será de ajuda. Ele foi financiado pelo Reino Unido no intuito de obter fundos equivalentes de Angola para expandir o programa após um esforço piloto em Huambo, a segunda maior cidade de Angola, disse o diretor da Development Workshop, Allan Cain, em uma entrevista.

Cada torneira tem um gerente com um celular que cobra cinco kuanzas por vasilha de água e reporta problemas utilizando uma série de códigos a um banco central de dados que marca as operações com pontos verdes ou vermelhos em um mapa da cidade. Smartphones com capacidade para fazer isso são comuns até mesmo nos musseques (favelas), disse ele.

Angola, a segunda maior produtora de petróleo da África depois da Nigéria com uma produção estimada de 1,87 milhão de barris diários no mês passado, provavelmente já tenha gasto até US$ 2 bilhões no seu programa Água para Todos desde seu começo em 2007, segundo Cain. A meta é fornecer uma torneira a até cem metros de distância a 80 por cento da população urbana e à totalidade da população rural, disse ele.


Comércio de água

Contudo, a falta de manutenção tem impedido o programa Água para Todos de atingir sua meta de alcançar dois terços da população, além de permitir o crescimento acelerado do comércio informal de água, disse Cain.

A água pode custar um quarto da renda de uma família quando o preço de encher uma vasilha em um caminhão ou tanque privado custa entre 50 e 90 kuanzas por unidade. Em condições normais, a água deveria custar entre 3 por cento e 5 por cento da renda, disse ele.

Quando pode pagar, Paulino utiliza tecnologia de celulares para usar outro serviço na rotina diária para obter água: pedir seu envio por triciclo motorizado a 90 kuanzas por vasilha.

“Com uma simples mensagem de texto, eu contrato alguém para levar a água por mim”, disse ela. “Faço isso para aliviar um pouco a minha vida”.

Fonte: http://www.content-loop.com/br

MÁQUINA CONVERTE PLÁSTICO EM COMBUSTÍVEL

MATERIAL É DERRETIDO POR AQUECEDOR ELÉTRICO, SEM EMISSÕES DE CARBONO


AKINORI ITO EXPLICA SUA TÉCNICA (FOTO: DIVULGAÇÃO/BLEST)

Lixo plástico pode virar combustível? A startup japonesa Blest responde que sim, ao desenvolver um equipamento de vários tamanhos, para uso doméstico ou industrial, que pode facilmente transformar 1 quilo de lixo de plástico em 1 litro de combustível (gasolina, diesel ou querosene), necessitando apenas 1 kW de energia e emitindo menos CO2 durante o processo. Em vez de fogo, a Blest Machine, como é conhecida, usa um controle de aquecedor de temperatura elétrico para derreter o plástico e convertê-lo em gás bruto. Direcionado a um repositório especial, esse gás entra em contato com água que o resfria e converte em combustível, podendo então ser usado em fogões e aquecedores ou, se refinado, em carros e motos.

Akinori Ito, o criador da Blest, decidiu desenvolver o equipamento para enfrentar o desafio de reciclar lixo em um país como o Japão, que não dispõe de muito espaço. E escolheu o plástico por ser basicamente composto de petróleo. A Blest Machine processa qualquer tipo de material plástico, do polietileno ou poliestireno ao polipropileno. Basta limpá-los bem antes do processo, para evitar a interferência de outras substâncias químicas.

Sua versão portátil pode ser instalada sobre uma mesa nas residências, evitando a necessidade de construir enormes usinas, onde normalmente o plástico é reciclado, ou lixões. Essa versatilidade pode ser bem útil, considerando que nos Estados Unidos, por exemplo, apenas 7% do total de lixo plástico são reciclados, segundo dados da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês).




Fonte: http://epocanegocios.globo.com/

Engenheiros do Canadá fazem o que parecia impossível: erguem um edifício de 30 metros com estrutura de madeira



A madeira é um material renovável e ecológico, pois plantar árvores ajuda a combater o aquecimento global. Essa é a ideia por trás de um dos projetos mais ambiciosos dos últimos tempos: a construção do prédio do Centro de Design e Inovação em Madeira, no Canadá, que tem seis andares, 30 metros de altura (equivalente a um prédio de nove andares) e é feito de madeira.

A obra, que já está quase pronta - e pode ser observada, ao vivo, pelo site da UNBC (University of Northern British Columbia) -,  usa vários tipos de madeira produzida no Canadá. Vigas, colunas e até o fosso do elevador são feitos de bordo, amieiro vermelho e vidoeiro branco, espécies escolhidas por serem densas.

As paredes também são de madeira. Elas são presas por parafusos de metal, e o prédio leva concreto nas fundações e na cobertura, para sustentar o elevador. Mas todo o resto é de madeira.

O projeto, que tem 250 operários trabalhando, custou R$ 52 milhões e foi pago pelo governo canadense. A ideia é estimular o uso de madeira - pois o Canadá é o maior produtor e exportador mundial desse produto. "Queremos mostrar que grandes edifícios de madeira são eficientes, bonitos e têm baixo custo", afirmou Shirley Bond, ministra do trabalho do Canadá.

Segundo os construtores, é possível erguer prédios de até 30 andares usando madeira. Se isso acontecer, a humanidade terá reproduzido um dos mais antigos feitos da natureza: usar a madeira para erguer estruturas muito altas. No nosso caso, prédios. No da natureza, árvores.




Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/

O Velho Chico pede socorro





O diretor do Parque Nacional da Serra da Canastra, Luiz Arthur Castanheira, disse em entrevista ao G1 na tarde desta terça-feira (23) que a nascente do Rio São Francisco, situada em São Roque de Minas, secou. Segundo Castanheira, essa nascente é a principal de toda a extensão do rio, que tem 2.700 km. O São Francisco é o maior rio totalmente brasileiro, e sua bacia hidrográfica abrange 504 municípios de sete unidades da federação – Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e Distrito Federal. Ele nasce na Serra da Canastra, em Minas, e desemboca no Oceano Atlântico na divisa entre Alagoas e Sergipe.

Segundo Castanheira, o motivo é a estiagem. "Essa nascente é a original, a primeira do rio e é daqui que corre para toda a extensão. Ela é um símbolo do rio. Imagina isso secar? A situação chegou a esse ponto não foi da noite para o dia. Foi de forma gradativa, mas desse nível nunca vi em toda a história”.






Artista iraniano faz arte com folhas caídas



O lixo orgânico também pode virar arte. O artista plástico iraniano Omid Asadi, por exemplo, decidiu fazer das folhas de plantas sua matéria prima para recortes minuciosos, de tirar o fôlego. Segundo ele, a ideia surgiu a partir de uma nova maneira de ‘enxergar’ o mundo.





O artista afirma que passou a olhar para as folhas caídas no chão, geralmente ignoradas e pisadas pelas pessoas, e a analisar suas cores e texturas. “Eu decidi dar uma nova vida às folhas, fazer arte com elas”, conta o iraniano, que atualmente vive na Inglaterra e já expôs seu trabalho em várias galerias de arte da Europa. A técnica que ele desenvolveu tem como instrumentos estilete profissional e agulha. “Eu sempre tento criar peças com uma mensagem, e não apenas com uma imagem bonita”, afirmou, de acordo com o portal ‘Ciclo Vivo’.
Segundo ele, a aprovação de seu trabalho “mostra como podemos criar beleza, amor, e tornar este mundo melhor para todos da espécie humana e de outras criaturas, ao invés de sofrer com guerras, conflitos, doenças, fome e ódio”.

Setor gourmet impulsiona mercado orgânico no País

Eventos e ações que despertam a conscientização para alimentação saudável surgem como aliados para restaurantes evoluírem em menus especiais

Davi Brandão

Feira de produtos orgânicos reúne consumidores em São Paulo - Foto: Divulgação

SÃO PAULO - A preocupação com as questões ambientais desperta para importantes iniciativas empresariais. No setor da alimentação isso não seria diferente e estabelecimentos gastronômicos adotam práticas sustentáveis que, além de mudanças na gestão e logística de empreendimentos, afetam o cardápio das casas.

No Brasil, a discussão sobre a gastronomia saudável é recente. Segundo a coordenadora comercial do Festival da Gastronomia Orgânica e Feira de Produtos Orgânicos de São Paulo, Patrícia Bim, o País ganha um destaque neste mercado pela produção do FLV (frutas, legumes e vegetais), que possui um demanda crescente. "Tamanho é o crescimento deste segmento que, neste ano, a expectativa é que o setor movimente R$ 2 bilhões no Brasil".

Em sua quinta edição, realizada no último fim de semana, o festival contou com a participação de 12 barracas, quando os chefs apresentaram elaborações saudáveis para o público. "Nosso intuito é fomentar o conceito tão debatido em outros países", explica a coordenadora, que estima a comercialização de mais de seis mil refeições ao longo dos três dias de evento. "O festival surgiu da necessidade dos consumidores. Temos que ter um equilíbrio e um consumo consciente. O festival propõe isso e adota este conceito da alimentação saudável", frisa.

"O governo precisa incentivar e investir na agricultura orgânica, atualmente formada por agricultores familiares", avalia a executiva.

Experiência à mesa

"O conceito de sustentabilidade é trabalhado em nosso estabelecimento. Dentre as práticas adotadas contamos com o reaproveitamento 100% dos alimentos, além de um trabalho com recicláveis, do qual obtemos receita que é totalmente repassada aos colaboradores", pontua o restauranter do restaurante Félix Bistrot, Vinicius Rioli.

Construído em uma área de 600 metros quadrados na região de Cotia, Grande São Paulo, o empresário explica que no restaurante a reutilização da água da chuva é uma das práticas importantes. Em relação ao cardápio sustentável, ele avalia que a questão necessita de melhor organização, tanto por parte dos fornecedores quanto dos consumidores: "A cultura ainda é pouco divulgada no que tange à gastronomia. O 'orgânico' preciso ser trabalhado, pontua. "As pessoas adotam a ideia do politicamente correto, mas em alguns momentos não utilizam o modo correto. A sociedade tem que refletir sobre essa importante discussão", complementa Rioli.

No último mês de setembro, a casa, há 16 anos no mercado, adotou um menu sustentável, com aceitação estimada em 10% do público frequentadordo local. "Nossa proposta é trabalhar com hortaliças plantadas em nossa área, sendo levadas frescas para a mesa do cliente", finaliza.

Reeducação

Elaborado em 2012, o programa Avante, idealizado pela Ticket, visa educar e estimular os parceiros da empresa a práticas saudáveis de alimentação. "Trabalhamos com convênios de Recursos Humanos de nossos parceiros e apresentamos aos colaboradores conceitos e modo de realizar uma alimentação saudável", explica o gerente de Estratégia e Marketing de Produtos do Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) da Ticket , Júlio Zancopé.

"Hoje, a oferta de alimentação não saudável é superior. As empresas sabem que os colaboradores que se alimentam mal tem menor produtividade. Contamos com a divulgação de técnicas em nosso site e também em nossa fanpage no Facebook", esclarece Zancopé, que prevê atender 100% da carteira de clientes da Ticket nos próximos quatro anos.

Fonte: http://www.dci.com.br/

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Abelhas ajudam a detectar contaminação do ar por metais pesados

Durante pesquisa da Ufop foram encontrados metais como arsênico, chumbo, níquel, cromo, ferro, cádmio, cobre, manganês e alumínio. Em alguns casos, a concentração verificada estava 20 vezes maior que a habitual.

Eduardo Tristão Girão - Estado de Minas



Uma pesquisadora da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) está usando as abelhas para detectar, por meio do pólen e do mel, o nível de contaminação do ar por metais pesados em áreas próximas às que atuam mineradoras. Pode parecer incomum, mas iniciativas semelhantes já foram desenvolvidas no Brasil e na Europa. A novidade fica por conta da espécie de inseto escolhida: a abelha Jataí (Tetragonisca angustula), uma espécie nativa do país, diferente da principal produtora de mel daqui, que é o cruzamento de variedades africana (Apis mellifera scutellata) e europeia (Apis mellifera mellifera).

“A Apis mellifera é muito generalista e, por ter porte maior, não consegue visitar certas espécias de plantas que dão flores pequenas. As abelhas brasileiras, ao contrário, evoluíram com as plantas daqui e visitam espécimes que as outras não conseguem. Além disso, elas não têm ferrão, facilitando o trabalho do homem. Escolhemos a jataí porque ela ocorre no Brasil todo, se adapta a diferentes ambientes e é bem resistente, tanto que alguns autores a chamam de rústica”, explica a autora da pesquisa, Nathália de Oliveira Nascimento, biológa e mestre em ecologia de biomas tropicais pela Ufop.

O trabalho, intitulado “Seriam as abelhas sem ferrão boas amostradoras ambientais de contaminação atmosférica?”, foi desenvolvido em conjunto com os departamentos de Biodiversidade, Evolução e Meio Ambiente e de Geologia, envolvendo os professores Yasmine Antonini e Hermínio Arias Nalini Júnior e a doutoranda Fernanda Ataíde de Oliveira. Nathália pesquisa a relação entre as abelhas e a poluição desde a graduação, e teve a ideia de usar a espécie nacional ao perceber que as demais iniciativas privilegiavam a Apis mellifera.

Ninhos da abelha

Jataí foram instalados numa distância máxima de um quilômetro de cavas de mineradoras de pequeno porte em Ouro Preto, Mariana, Itabirito e Nova Lima. “Esse é o raio de ação desses animais. Ao longo de um ano, coletamos mel e pólen uma vez a cada estação e fizemos análise geoquímica de ambos para ver a concentração de metais pesados e descobrir quanto cada mineradora estava contribuindo com a dispersão de metais pesados no ar. Eles grudam no pelo das abelhas, no pólen, nas flores, nas plantas, sendo que o néctar já vem contaminado”, explica ela.

Também foi instalado um ninho numa região considerada área de controle, ou seja, afastada das áreas de mineração, para fins comparativos. Durante a pesquisa, foram encontrados metais como arsênico, chumbo, níquel, cromo, ferro, cádmio, cobre, manganês e alumínio, entre 15 variedades. Em alguns casos, a concentração verificada estava 20 vezes maior que a habitual. Posteriormente, os resultados dos períodos de seca e chuva foram comparados, levando à conclusão de que os metais pesados foram encontrados em altas concentrações na atmosfera, sobretudo no período de estiagem.

Preço

Outra conclusão tirada pela pesquisadora foi a de que o pólen é melhor para esse tipo de medição do que o mel. “O pólen fica mais exposto que o néctar, e isso facilita o depósito dos metais pesados dispersos no ar. Ele é poroso e tem constituição química que permite melhor fixação dos metais pesados, além de ficar mais exposto na flor do que o néctar. Também é importante dizer que o pólen não é processado pelas abelhas, que engolem o néctar e o regurgitam com várias enzimas”, explica. “Daí, o mel ter menor concentração de metais pesados que o pólen (10 a 20 vezes menos, às vezes).”

Uma das vantagens desse método de pesquisa, acredita Nathália, é seu baixo custo: “A abelha é barata e o equipamento para análise do mel e do pólen, geralmente, as mineradoras têm.” Fazem parte dessa aparelhagem itens como espectofotômetro (que informa quais elementos químicos foram encontrados e a concentração de cada um) e um tipo de forno de micro-ondas que atinge temperaturas mais elevadas que o doméstico (para eliminar elementos orgânicos da amostra). Além disso, o monitoramento feito por abelhas rende informações mais abrangentes que as fornecidas por coletores de poeira.

A pesquisadora informa que há mineradoras interessadas em adotar essa metodologia para medição de poluição. “Ano que vem, devemos iniciar esse trabalho com uma empresa grande, em conjunto com a Ufop”, adianta. Nathália dará prosseguimento à pesquisa em seu doutorado.

Legislação do mel em pauta

As abelhas nativas brasileiras também têm lugar de destaque nas discussões da cena gastronômica brasileira. De acordo com a legislação nacional, apenas o mel proveniente da Apis mellifera pode ser chamado como tal, em razão da espécie do inseto e do nível de umidade do produto final (que, no caso do mel nativo, é maior que o determinado – 20%). No momento, estão em pauta temas como a necessidade de legislação específica para esses méis e processos que diminuam a umidade presente neles.

“Os méis de abelhas brasileiras, que são cerca de 300 tipos, têm em torno de 30% a 35% de umidade. Então, fermentam. São vivos, como queijos e vinhos. Essa lei foi feita em 1952 e sem estudos profundos para dizer que esse tipo de mel poderia trazer doenças, se consumido. Repetindo: não há estudo científico comprovando que esse mel fermentado faça bem ou mal à saúde”, polemiza o chef Alex Atala, do restaurante paulistano D.O.M., defensor do ingrediente.

Ele aproveita para lembrar a também atual discussão em torno dos queijos artesanais mineiros, cujo processo de produção (com leite cru, não pasteurizado) ainda gera discussão sobre segurança alimentar. “Na Europa, também houve problema com esses queijos, e como resolveram o problema? Foi entendido que, uma vez que representam uma cultura e que séculos de consumo nunca mataram ninguém, a cultura salvaguardava a existência desse produto. Os méis brasileiros fermentados são usados pelos índios como remédio. Por que nossa cultura vai continuar ignorando uma sabedoria ancestral?”, conclui.

Fonte: http://www.em.com.br/

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Veja programa que incentiva a criação de hortas em escolas públicas


Este ano, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), quer reforçar o papel da agricultura familiar para acabar com fome e estimular produção sustentável.





quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Repressão é pouco: Humanizar as cidades e torná-las mais dinâmicas facilita o trabalho das polícias, dizem especialistas em segurança

Cápsulas de balas na favela da Maré, no Rio de Janeiro

"O Brasil prende muito e prende mal.” A afirmação deixou calada a plateia de convidados e especialistas reunidos no Recife para mais um evento da série Diálogos Capitais – Metrópoles Brasileiras sobre políticas de segurança e bem-estar social. O desabafo partiu de José Luiz Ratton, idealizador de um dos mais bem-sucedidos projetos de redução da violência no Brasil, o Pacto pela Vida, que derrubou os indicadores criminais em Pernambuco e, em especial, na capital do estado.

O programa Pacto pela Vida, estruturado pelo governo estadual na gestão de Eduardo Campos, conseguiu reduzir os indicadores de violência em 40% no interior e em 60% no Recife, o que significa, respectivamente, 34 e 28 homicídios para cada 100 mil habitantes. Convidado para a abertura do evento, o prefeito da capital, Geraldo Julio, disse que não se pode mais imaginar que as questões de segurança podem ser deixadas apenas a cargo dos governos estaduais. “É preciso a participação das prefeituras, o envolvimento dos prefeitos, para construir as bases de uma sociedade onde o bem-estar se sobreponha à insegurança.”

Segundo Julio, a violência não se combate mais da forma antiga, com meros investimentos em mais repressão e inteligência policial. Rever o planejamento urbano e estimular os moradores a ocupar as ruas, a torná-las espaços dinâmicos, públicos, de convívio saudável, é tão importante quanto equipar as forças de segurança. “Os cidadãos escondem-se atrás dos muros altos e nos condomínios fechados. A rua virou espaço do crime. Essa lógica não se sustenta mais. Não podemos mais ter áreas de usos exclusivos, como um centro de escritórios que fica abandonado à noite ou bairros residenciais que passam o dia vazios.”

A mesa de debates, que se seguiu à apresentação do prefeito do Recife, reuniu Elkin Velásquez, diretor-regional do ONU-Habitat, José Luiz Ratton, sociólogo e idealizador do Programa Pacto pela Vida, e Cesar Barreira, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará e ex-diretor da Academia de Polícia daquele estado. A falta de coordenação entre os principais agentes da segurança pública e o despreparo no enfrentamento dos problemas foram dois dos principais obstáculos apontados pelos debatedores. Para eles, é muito simplista a forma reducionista como os problemas relacionados à violência são tratados.

“Não é uma questão de número de polícias, mas da falta de integração entre elas”, afirmou Barreira. “Quando um inquérito chega a ser instaurado, surgem os problemas estruturais para levar um preso a julgamento. Há entraves nos institutos médicos legais e na forma como os processos são conduzidos.” O pesquisador acrescenta: “Na audiência de instrução, todos os envolvidos precisam estar presentes. Se falta uma testemunha, o processo vai para o fim da fila”.

O Brasil, com 29 homicídios para cada 100 mil habitantes, não é o único país da América Latina a apresentar altos indicadores de violência. A situação é mais ou menos generalizada tanto na quantidade de crimes quanto na incapacidade das autoridades em solucioná-los e levar os autores à Justiça. Dados da Organização das Nações Unidas apontam: a taxa de homicídios por 100 mil habitantes na região vai de 90 em Honduras a entre 5 e 6 no Uruguai e na Argentina.

De acordo com Velásquez, a segurança é um problema central na sub-região. Colombiano nascido em Medellín, conhecida pela violência extrema nos anos 1980, Velásquez assistiu de perto aos resultados das ações que fizeram cair de 400 para 30 o número de homicídios a cada 100 mil habitantes, principalmente a partir de ações de integração urbana e oferta de serviços públicos. “As cidades de nossa região se desenvolveram produzindo segregação e precisam de planejamento para sair desse cenário.” O especialista da ONU reconhece que as intervenções de reestruturação e adensamento urbano custam caro, mas aponta como necessárias se quisermos cidades mais inteligentes e capazes de oferecer melhores serviços e qualidade de vida aos seus habitantes.

Ratton listou diversas falhas estruturais na forma como a questão da violência é enfrentada no Brasil. A segregação e o preconceito, afirmou, levaram à produção de criminosos e vítimas entre jovens negros pobres e moradores de periferias mal atendidas pelo Estado. “Coincidentemente, esse é também o perfil majoritário das cadeias e penitenciárias brasileiras.” Existe uma dicotomia entre a percepção de impunidade que a sociedade tem em relação à violência e a realidade das cadeias superlotadas. Por isso, insiste o sociólogo, “prende-se muito e prende-se muito mal” no País. “Grande parte dos presos é de jovens sem histórico de violência que acabam atrás das grades por intermediar a venda de drogas.” Ratton defendeu uma revisão das políticas de combate ao tráfico de drogas. “Perdemos essa guerra.” Para ele, é necessário mudar completamente o enfoque, a exemplo do Uruguai e de diversos estados norte-americanos. “Não podemos ter todo o aparato policial focado nas drogas e incapaz de solucionar os crimes violentos que abalam a sociedade e as famílias, que muitas vezes também têm relação com o controle de territórios por parte do tráfico.” Entre as ações sugeridas está a adoção de mecanismos de prevenção de vitimização de grupos específicos, como mulheres, jovens e comunidades LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).

A integração entre os principais agentes na área de segurança é um dos pontos mais destacados por todos os participantes do debate. Mas a unificação das polícias ou a redução da maioridade penal não seriam, disseram os participantes, panaceias para os males da violência. Cesar Barreira, com experiência na formação de policiais, explica ser necessária a construção de pontes entre as diversas forças para o trabalho de policiamento e investigação se tornar mais efetivo. “É preciso valorizar os policiais e dar a eles uma quadro institucional mais claro.” Isso significa, principalmente, formular ações para resgatar a autoestima dos profissionais que atuam nas polícias, inclusive nas guardas municipais, que não devem desempenhar o mero papel de vigias patrimoniais, mas sim profissionais preparados para manter a integridade da população.

Existem falsos dilemas, disse Barreira, nos debates sobre segurança pública. Alguns deles são a redução da maioridade penal ou a aplicação da pena de morte, que, segundo o especialista, não teriam nenhum impacto real sobre o quadro institucional da violência. “É preciso mudar o foco, não podemos mais ficar atrás de pequenos traficantes, enquanto os crimes que afetam as famílias ficam impunes por uma desorganização institucional que não atinge apenas as polícias, mas toda a forma como as instituições de Estado atuam.” Outro ponto importante destacado pelos três debatedores é o fato de a coexistência de duas ou mais corporações com funções na área de segurança e policiamento não ser um obstáculo para a qualidade do trabalho. “Na maior parte dos países do mundo existe mais de uma força policial”, disse Ratton. “Esse é um debate inócuo, pois as polícias militares têm muita força no Congresso.”

Um dado pouco explorado nas discussões relacionadas à segurança pública é o impacto dos números e a sensação de insegurança em determinadas cidades ou regiões sobre a capacidade de desenvolvimento econômico naqueles territórios. Existe a percepção de queda nos investimentos em áreas de enfrentamento militar, mas poucos são os dados sobre locais que não estão em zona de conflito, mas apresentam indicadores muito acima da média. O diálogo mostrou que os meios de comunicação têm um papel importante em espalhar a sensação de insegurança, muitas vezes por estimular temores maiores do que a realidade recomenda. Por isso a importância de dar voz aos especialistas e não apenas aos comentaristas da mídia.

Um alerta de Ratton: o próximo presidente precisará assumir papel protagonista nas questões relacionadas à segurança pública em todo o País. Não basta ter uma “força de segurança”. É preciso agir para melhorar a qualidade e a efetividade dos sistemas estaduais.


*Colaborou Dal Marcondes.

Fonte:
http://www.cartacapital.com.br/

Paraná atua para reduzir problemas com agrotóxicos

O objetivo é colocar a questão na agenda dos municípios e minimar os riscos à saúde e ao meio ambiente Agência Estadual de Notícias, em Tribuna do Norte

Foto: Venilton Küchler/SESA

A Secretaria Estadual da Saúde encerrou nesta terça-feira (14), em Curitiba, o ciclo de seminários regionais, com o objetivo de reduzir os problemas causados pelos agrotóxicos. Ao longo de oito meses foram realizados nove eventos que reuniram mais de 600 gestores, pesquisadores, profissionais de saúde e trabalhadores que atuam na área.

A realização dos seminários é uma das diretrizes da política estadual de saúde do trabalhador lançada em 2011 pelo Governo do Estado. Após as discussões,  foi proposta a criação de comitês intersetoriais para tratar o tema de forma permanente em cada um dos 24 municípios definidos como prioritários pelo Centro Estadual de Saúde do Trabalhador (Cest).

De acordo com o superintendente de Vigilância em Saúde, Sezifredo Paz, o objetivo é colocar a questão dos agrotóxicos na agenda dos municípios, já que o uso indiscriminado desse tipo de produto traz diversos prejuízos à população. “O agrotóxico não é um problema apenas ambiental, mas também reflete diretamente na saúde de trabalhadores e consumidores. Por isso, devemos atuar em conjunto para articular ações que reduzam o risco à população”, disse.

Hoje, o Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo e esse consumo vem crescendo ano a ano. Devido à forte produção agrícola, o Paraná enfrenta situação parecida. Segundo levantamento do Cest, o Estado concentra 14 indústrias de agrotóxicos, sendo quatro somente em Curitiba e Região Metropolitana.

ORGÂNICOS – Edinei do Nascimento, representante do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, afirma que o momento é preocupante e por isso é preciso fomentar cada vez mais a prática da agroecologia. “Temos diversas ações voltadas ao incentivo do consumo de alimentos orgânicos. Iniciativas como a do Paraná, que oferece merenda escolar orgânica, deveriam ser seguidas”, ressalta.

Desde o início de 2014, a Secretaria da Saúde monitora a qualidade dos produtos da agricultura familiar ofertados na merenda escolar da rede estadual. A análise de resíduos de agrotóxicos garante a segurança das refeições servidas aos mais de 1,3 milhão de alunos paranaenses.

NÚMEROS – Anualmente, o Paraná registra em média 1,3 mil casos de intoxicações agudas por agrotóxicos. Outro tipo comum de intoxicação é a crônica, que acontece a partir de uma longa exposição a um determinado produto. As maiores vítimas são os trabalhadores rurais que desenvolvem problemas de saúde de maneira gradativa e silenciosa.

O diretor do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador, José Lúcio dos Santos, explica que é muito difícil identificar a intoxicação crônica precocemente. “Nesses casos, é preciso que a equipe de saúde esteja atenta aos sintomas e relacione com o trabalho do paciente”, conta.

Para auxiliar os profissionais, o Estado editou um protocolo pioneiro no país que direciona o atendimento, diagnóstico e vigilância dos casos de intoxicação crônica por agrotóxicos no Paraná. O documento está disponível na página da Secretaria da Saúde: www.saude.pr.gov.br

AGRICULTURA – Outra ação colocada em prática no Paraná para reduzir o uso de agrotóxicos é a campanha “Plante seu Futuro”, que tem como tema a adoção de boas práticas de Manejo Integrado de Solos e Águas, Manejo Integrado de Pragas, Manejo Integrado de Doenças, Manejo Integrado de Plantas Invasoras, Tecnologias de Aplicação de Agrotóxicos e Controle de Formigas Cortadeiras.

A grande ferramenta da campanha é o resgate de práticas antigas e já conhecidas do agricultor e que ao longo dos anos foram deixadas de lado, como o controle biológico, de manejo e genéticos. A recomendação é recorrer aos agroquímicos somente quando for necessário. Para isso, inicialmente o agricultor conta com o auxílio de um profissional a campo, que pode ser um técnico do poder público ou da iniciativa privada, que vai ajudar o agricultor a tomar a decisão de aplicar ou não o agrotóxico na hora certa.

Os resultados da primeira etapa da Plante seu Futuro comprovam que nas unidades demonstrativas instaladas para controle e monitoramento da incidência de pragas e doenças nas lavouras de soja, a média de aplicações de agrotóxicos foi reduzida à metade.

Em áreas onde o Manejo Integrado de Pragas (MIP) não foi adotado, a média foi de cinco aplicações de inseticida nas lavouras de soja do Paraná. Nas áreas assistidas pela Emater-PR – unidades de referência - , a aplicação de inseticidas foi reduzida para 2,3 vezes.

De acordo com a Embrapa, os resultados foram obtidos na safra 2013/14, em 46 unidades de referência, conduzidas pela Emater-PR, com 330 produtores do Estado, em que se avaliou o impacto de utilização no Manejo Integrado de Pragas.

A campanha tem a parceria de entidades como a Federação na Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), Emater, Iapar, Itaipu Binacional,Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Banco do Brasil, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Apepa (Associação Paranaense de Planejamento Agropecuário), entre outras.

Fonte:
http://tnonline.com.br/

Rastreamento de caminhões revela destruição silenciosa da floresta

Em investigação o Greenpeace monitorou o trajeto de caminhões no Pará e conseguiu estabelecer os vínculos de uma cadeia predatória de exploração de madeira ilegal que opera livremente na região e comercializa com os mercados nacional e internacional

Um caminhão de carga aguarda para ser carregado com madeira ilegal em uma área próxima a Santarém, no Estado do Pará, o centro da indústria madeireira na Amazônia. (© Otávio Almeida/Greenpeace)

Entre agosto e setembro de 2014, o Greenpeace esteve em campo, no Pará, para monitorar as rotas de caminhões madeireiros que fazem o trajeto entre as áreas públicas de florestas no oeste do Estado, e as serrarias da região. De acordo com a investigação, nenhuma das áreas exploradas possuía qualquer tipo de autorização.

Durante o dia, os caminhões se dirigem até áreas remotas de florestas, onde são carregados com toras de madeira. À noite, quando a fiscalização é menor, dezenas deles tomam as estradas da região, nas proximidades de Uruará e Placas, e seguem até as serrarias de Santarém e arredores.

Estima-se que aproximadamente 80 caminhões cruzam a cada noite a balsa pelo rio Curuá-Una, na PA-370, que vai até Santarém. O tráfego na balsa é mais intenso entre as 11 da noite e 1h30 da madrugada.

Santarém concentra o principal polo da indústria madeireira no Pará, estado que mais produz e exporta madeira da Amazônia. Segundo dados do Imazon, entre agosto de 2011 e julho de 2012, cerca de 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará não tinham autorização de exploração.

Madeireiras lavanderia

As três serrarias que receberam essa madeira foram: Rainbow Trading Importação e Exportação LTDA, Comercial de Madeiras Odani LTDA e Sabugy Madeiras LTDA. Cada uma delas tem um histórico de ilegalidades e somam, juntas, o recebimento de multas de cerca de R$ 1,5 milhão pelo Ibama nos últimos dez anos.

De acordo com os documentos oficiais, a Rainbow Trading recebe madeira de áreas de planos de manejo florestais autorizados. Porém, análise de imagens de satélite mostra que não houve nenhuma atividade madeireira na maioria dessas áreas de manejo, o que indica que esses planos estão servindo para fornecer créditos e documentação oficial para ‘lavar’ a madeira ilegal. Enquanto isso, as terras públicas de onde a madeira está sendo roubada apresentam sinais claros de exploração, com madeira estocada em grandes clareiras abertas na mata e diversas estradas ligando esses caminhos.

Abastecidas com madeira ilegal, estas serrarias exportam regularmente para a Europa, China, Japão e Estados Unidos – a despeito das leis que proíbem a comercialização de madeira ilegal em alguns desses mercados. Somente entre janeiro e agosto de 2014, por exemplo, uma destas serrarias teve relação comercial com França, Bélgica, Holanda e Suécia.

Chega de Madeira Ilegal!

Em maio de 2014, quando lançou a campanha Chega de Madeira Ilegal, o Greenpeace revelou como o sistema de controle de madeira está sendo burlado para acobertar madeira de origem ilegal. Uma série de falhas no sistema tem permitido que madeira extraída de forma ilegal e predatória seja vendida nos mercados nacional e internacional com ares de legalidade, tornando o mercado um parceiro oculto da destruição silenciosa da floresta.

“A madeira ilegal é a porta de entrada para o desmatamento. A abertura de estradas por madeireiros torna a floresta mais suscetível à degradação e fragmentação. E, por passar despercebida pelos olhos dos satélites, esse tipo de destruição florestal nem entra na conta das emissões de gases do efeito estufa”, afirma Marina Lacôrte, da Campanha da Amazônia do Greenpeace. “Dadas às falhas estruturais do sistema de controle de madeira no Brasil e a histórica falta de governança na Amazônia, documentos oficiais não são suficientes para garantir a legalidade da madeira. Nossa investigação levanta muitas questões para as autoridades responsáveis em assegurar a origem responsável do produto – desde a floresta até o mercado”.

O Greenpeace exige que o governo brasileiro reveja todos os planos de manejo aprovados na Amazônia desde 2006 como primeiro passo para uma revisão robusta do sistema de controle de madeira, com processos públicos, transparentes e integrados. O governo federal deve promover o aumento da capacidade de ação dos órgãos ambientais estaduais e federais, com mais recursos para ações de monitoramento e fiscalização, a fim de permitir que o crime seja combatido antes que milhares de árvores tenham sido abatidas.

“Ao manter as portas abertas para receber madeira ilegal, o mercado se torna cúmplice da destruição da Amazônia. Empresas que comercializam madeira da Amazônia devem parar de comprar a menos que tenham garantias, por meio de mecanismos próprios, de que aquela madeira não tenha contribuído para o desmatamento, degradação florestal, perda de biodiversidade e impactos sociais negativos, como a violência contra a população local”, finaliza Marina.

Fonte: Greenpeace Brasil